terça-feira, 15 de setembro de 2015

Who is washing the dishes / Quem está lavando a louça

I don't want to put myself in the position of speaking in the place of black, poor women.
I want to speak about the strategies in the left for building equality.
Is the fight against sexism a fight for after the revolution?
No, it isn't about choosing one way or one main form of oppression, but understanding that class, gender and race oppression are articulated (articulated!) within capitalism, and that if we are trying to build a movement for men workers, we cannot close our eyes to the fact that probably these workers are exploiting other women workers. Aren't we talking about equality?
We all reproduce sexists attitudes. The problem is choosing not to look at them. We want to speak about equality but women still suffer verbal, physical and psychological abuse within some popular movements. We want to speak about equality but we expect women to do the dishes or take out the trash. We want to speak about equality but we reproduce bourgeoisie aesthetic standards to judge our comrades. We want to speak about equality but we don’t count reproductive labor as labor.
I don't mean at all to undermine the constructions of the left, or take white university feminism to criticize important popular movements and struggles. But while left does not look at the other forms of capitalism exploitation, to it's articulations with the Labor X Capital contradiction, any fight for equality will be, by itself, ridiculously incomplete (specially when it leaves behind more than half of the world population).



Não quero me colocar na presunção de falar no lugar das mulheres negras e pobres.
Quero falar das estratégias da esquerda para construir igualdade.
Será que o combate ao machismo é tarefa pra depois da revolução?
Não, não se trata de escolher um caminho ou uma forma de opressão principal, mas entender que as opressões de classe, de raça e de gênero se articulam (se articulam!) no capitalismo, e que se estamos tentando construir um movimento que olhe pros trabalhadores, não podemos fechar os olhos pro fato de que provavelmente esses trabalhadores estão explorando outras trabalhadoras. Não estamos falando de igualdade?
Todas e todos nós reproduzimos atitudes machistas. O problema é escolher não olhar pra elas. Queremos falar de igualdade mas mulheres ainda sofrem abuso verbal, físico e psicológico nos movimentos populares. Queremos falar de igualdade mas esperamos que as mulheres lavem a louça e tirem o lixo nos espaços desses movimentos. Queremos falar de igualdade mas reproduzimos padrões estéticos burgueses para avaliar as companheiras. Queremos falar de igualdade mas não contamos o trabalho reprodutivo como trabalho.
Não quero de forma alguma deslegitimar as construções da esquerda, ou tomar um feminismo branco, arrogante e eurocêntrico para criticar as lutas e movimentos populares. Mas enquanto essa esquerda não olhar pras outras explorações do capitalismo, pras suas articulações junto da contradição Capital X Trabalho, qualquer luta por igualdade será, por si mesma, ridiculosamente incompleta (ainda mais quando deixa de fora mais da metade da população mundial).

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Contradiction/ Contradição


Part of my internship with Ilrig is to help with a research a comrade from Johannesburg is developing, about the roles of targeted politics on social movements. More specifically, how the targeted policies elaborated during Neoliberalism co-opted militants and movements in South Africa, and how we can compare these experiences to that of social movements in Argentina.
The only serious study I got in touch with about targeted policies is the famous Valquíria Leão's study about “Bolsa Família”, and how that policy enhanced woman’s political participation and living conditions in the Northeast of Brazil.
It should not be ignored the fact that many of these policies do improve people's lives and might help people out of miserable living conditions. The creation in Brazil of the “new middle class” and the amplification of people's consumption power is a direct result, generally along with the political demobilization of these people.
What to do then? In one case, the non-formulation of this policies mean the perpetuation of extreme poverty, as well as political neglect. And hopefully we have not become so reality-ignorant as to argue that this could be good for the prospect of organizing a movement within the working class (as part of the “the worst, the better” political argument). This alternative also favours the market as the place where social needs must be addressed to, diminising State responability to such matters and increasing corporations profits in the process (the brazilian “Minha Casa Minha Vida” is an example).
However, the other alternative is the elaboration of policies have important impacts on the lower classes but that may also through bureaucracy, lack of political education or simply direct co option by politicians demobilize people, spreading a middle class ideology among the working class organizations.
It is most important to be aware of this while working with these state policies. Using these policies may guarantee the survival of many social movements, as long as it does not turn out to be a simple desire to integrate itself to capitalist exploitation (as Paulo Freire wrote, “An education that does not liberate, makes the oppressed dream of becoming oppressors” ). And we have to learn how to deal with this contradiction.
Adopt whichever State theory you like, it is good to remember that the state and it's ideological apparatus are used for capitalist purposes, and whichever role you think the State might have in political change, it is very unlikely that it's politics and bureaucracy will support contestant movements without trying to co-opt them.




Parte do meu estágio na Ilrig é ajudar um colega de Johannesburgo com uma pesquisa sobre o papel das políticas focalizadas nos movimentos sociais. Mais especificamente, como as políticas focalizadas elaboradas durante o neoliberalismo cooptou militantes e movimentos na África do Sul, e como podemos comparar essas experiências aquelas dos movimentos sociais na Argentina. O único estudo sério que eu conheço sobre as políticas focalizadas é o famoso estudo (pelo menos na Unicamp) da Valquíria Leão sobre o Bolsa-Família e como essa política aumentou a participação política e a condição de vida das mulheres no nordeste.
Não deve ser ignorado o fato de que muitas dessas políticas melhoram a vida das pessoas e podem auxiliar da superação de uma situação de miséria. A criação no Brasil da “nova classe média” e a ampliação do poder de consumo é um resultado direto, assim como a geralmente desmobilização política dessas pessoas.
O que fazer então? Em um caso a não formulação dessas políticas significa a perpetuação da situação de miséria, bem como negligência política. E, tomara que nós não tenhamos nos tornado tão ignorantes a realidade para argumentar que isso pode ser bom para as perspectivas de organizar um movimento dentro das classes populares (como parte do argumento político de que “quanto pior, melhor”). Essa alternativa por outro lado também coloca o mercado como o lugar de excelência onde as necessidades sociais devem ser resolvidas, diminuindo a responsabilidade do Estado e aumentando os lucros das grandes empresas (como no caso das empreiteiras e construtoras no “Minha Casa Minha Vida”)
Entretanto, a outra alternativa é a elaboração de políticas que tem importantes efeitos para a população mais pobre, mas que podem também através de suas burocracias, falta de educação política, ou simplesmente cooptação direta por parte dos políticos, desmobilizar lutas, espalhando uma ideologia de classe média sobre organizações populares.
É importante ter consciência disso enquanto trabalhando com essas políticas de Estado. Usar essas políticas pode garantir a sobrevivência de muitos movimentos sociais, contanto que não se torne simples desejo de se integrar a exploração capitalista (e não dá pra não lembrar do Paulo Freire escrevendo que “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor”). Nós temos que aprender a como trabalhar com essa contradição.
Adote qual teoria de estado você quiser, é de bom tom lembrar que o Estado e seus aparelhos estão a serviço do capitalismo, e qualquer papel que podemos acreditar que o Estado venha a ter numa mudança política, parece bastante improvável que sua política e burocracia vão apoiar movimentos contestadores sem tentar cooptá-los.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

History Repeats Itself / A História se Repete

"On 3 September 1984, the Vaal Triangle, which is located southeast of Johannesburg and was part of the industrial heartland of South Africa, exploded into unrest. A general stay-away from work was called, schools were closed, buses and taxis stood idle and militant protest spread across the country. It was the most significant and large-scale rebellion of the black working class since the Soweto Uprising of June, 1976, and signified one of the final nails in the coffin of apartheid and white minority rule. For the black working class living in the townships across the Vaal Triangle, such as Sharpeville, Sebokeng, Evaton, Bophelong, Boiketlong, Zamdela and others the conditions were very similar to those of today. A slump in the steel industry had led to many workers being retrenched, there were evictions of rent defaulters and bribery, corruption and self-enrichment of local councillors was rife. Councillors’ election promises went unfulfilled and township residents demanded their resignation; allegedly threatening that they would set fire to their houses should they fail to do so.Thirty-one years later, on 21 April 2015, the Sebokeng Magistrate’s Court in the Vaal sentenced four community activists from Boiketlong to sixteen years in prison each for allegedly setting fire to the local ward councilor’s house and cars during a protest action. [...] To convict them the state even used the apartheid law of 1973, of so-called ‘common purpose’, which means that they were found guilty merely because they were leaders of the community; even though none of the four were identified in any way with the burning of the councilor’s house or cars. One of the arrests was not even present at the time. A witness willing to testify to this was not called to testify in court."
Yesterday's leaflet, available on: http://www.anarkismo.net/article/28488

Remember remember the 3rd of September. In 1984, it was the day of an uprising that took the country, including the Vaal Triangle (region in the south of Joburg), marking this date with one of the biggest protests against the Apartheid regime. In 2015, a day when a not-so-big march occurred to protest against the conviction of 4 community leaders to 16 years in prison each. They are being accused, under a 1973 apartheid law, and with apparently no proofs, of having set the house and car of a councilor on fire during a protest.
If story repeats itself, this time in South Africa is as an absolute farse.
Not wanting to ignore historical differences that set the nowadays South Africa and 1852 France apart, when Marx pronounced his famous quote that “history repeats itself”, it is interesting, even if only as an historic exercise, to try withdrawing parallels between the two. Bonapartism as a marxist political phenomenon is understood as the situation when a military coup takes charge of government in possible revolutionary situation, to reestablish order and guarantee capitalists interest in long term (which was what happened during both Napoleons governments in France). And even though we could argue that maintain capitalist interests in long term has been the role of the current government in SA ever after the end of apartheid (when maybe different sectors of the buguesia weren't in agreement in short term?), one difference is clear: this is not a military government. It's a democracy. And the difference is loud and clear.
Is it?
Democracy defenders, calm down. I'm not saying that military rule and democracy are the same thing, but merely that it seems hard trying to determine what are the limits between a capitalist democracy in peripheral countries and a military rule. Because whereas one could argue that the difference is clear in theoretical discourse, those who live in poor communities in Brazil, South Africa and others would maybe differ, with the amount of arbitrary imprisonment and killing (just take a look at the statistics of police killing in Brazil) in these countries.
For example, a 16 years of prison sentence given with little proof against the condemned seems like a sentence more suitable for the times of dictatorship in Brazil, when any political action was considered a crime.
Maybe there is a reason why our democracy (even our capitalist democracy) is so fragile. Maybe it's not possible to maintain the illusion and pretensions of that system so well in peripheral countries, where contradictions are so many and so wide, with the role we fulfill in world capitalism. Maybe our democracy is more similar do Bonapartism than one would think comfortably. After all, this time the repetition of history happened under democracy.

Foto da Marcha 03/09/2015

"Em 3 de Setembro de 1984, o 'Vaal Triangle', que está localizado ao sul de Johannesburgo e era parte do polo industrial da África do Sul, explodiu em protestos. Um salve geral foi declarado para as pessoas não irem trabalhar, as escolas fecharem, e os ônibus e táxis permanecerem parados, e protestos se espalharam pelo país. Foi a rebelião mais significativa e em larga escala da classe trabalhadora negra desde o 'Soweto Uprising', em 1976, e significou um dos últimos suspiros do regime Apartheid e do governo da minoria branca. Para a classe trabalhadora negra vivendo ao redor do 'Vaal Triangle', tais como Shaperville, Sebokeng, Evaton, Bophelong, Boiketlong, Zamdela e outras áreas as condições hoje são muito similares às daquela época. Uma crise da industria da mineração levou a uma redução no número de trabalhadores, despejos dos que que não conseguiam pagar aluguel e o acontecimento de subornos, corrupção e auto-enriquecimento dos vereadores locais foi frequente. As promessas das épocas de eleição dos vereadores não foram cumpridas e os moradores das cidades-satélites demandaram seus afastamentos: ameaçando atear suas próprias em fogo se eles não fizessem issoTrinta e um anos depois, em 21 de Abril de 2015, o Tribunal de Magistrados de Sebokeng no Vaal sentenciou quatro ativistas da comunidade de Boiketlong à 16 (dezesseis) anos de prisão cada um por deliberadamente colocar fogo na casa e carro do vereador local durante uma ação de protesto [...] Para condenar eles o Estado até usou a mesma lei de 1973 da época do Apartheid, denominada 'propósito comum', que significa que eles foram encriminados simplesmente por serem líderes da comunidade: apesar do fato de nenhum dos quatro terem sido identificados de nenhuma maneira com a queima da casa e carro do vereador. Um dos presos nem estava presente no ato. Uma testemunha disposta a depor isso não foi chamada para o julgamento."
Parte do panfleto distribuído ontem na marcha. Disponível na íntegra em inglês: http://www.anarkismo.net/article/28488

Me lembro, me lembro, do 3 de setembro. Em 1984, foi o dia de protestos que tomaram o país, inclusive o 'Vaal Triangle' (região no sul de Joburg), marcando esse dia com um dos maiores protestos desde o regime do Apartheid. Em 2012, um dia em que uma marcha não tão grande ocorreu em protesto contra a condenação de 4 líderes da comunidade a 16 anos de prisão cada um. Eles estão sendo acusados, sob uma lei de 1973 da época do apartheid e sem provas aparentes, de terem colocado a casa e o carro de um vereador em fogo durante um protesto.
Se a história se repete duas vezes, dessa vez na África do Sul é definitivamente como farsa.
Não querendo ignorar as diferenças histórica que separam a África do Sul atualmente e a França em 1852, quando Marx disse a frase famosa que “a história se repete duas vezes”, é interessante, mesmo se só parte de um exercício histórico, fazer paralelos entre essas duas épocas. O bonapartismo como um fenômeno politico marxista é entendido como uma situação na qual um governo militar entra no poder numa situação possivelmente revolucionária, para reestabelecer a ordem e garantir os interesses capitalistas a longo prazo (o que aconteceu durante os governos dos dois Napoleões na França). E apesar de nós argumentarmos que manter os interesses capitalistas a longo prazo tem sido o papel do atual governo na África do Sul desde o fim do apartheid (quando talvez diferentes setores da burguesia estavam em competição devido interesses de curto prazo?), uma coisa é diferente: esse governo na África do Sul não é uma ditadura. É uma democracia. E a diferença é clara.
Né?
Defensores da democracia, respirem fundo. Não estou dizendo que uma ditadura e uma democracia são a mesma coisa, mas simplesmente que parece difícil determinar quais são os limites entre uma democracia capitalista em países periféricos e uma ditadura. Porque enquanto alguém pode dizer que a diferença é clara no discurso teórico, aqueles que vivem em comunidades pobres no Brasil e na África do Sul talvez diriam outra coisa, com a quantidade de prisões e assassinatos arbitrários (dê uma olhada nas estatísticas de jovens negros mortos por policiais no Brasil) nesses países.
Por exemplo, uma sentença de 16 anos de prisão dada sem provas parece ser uma sentença mais apropriada para os tempos de ditadura no Brasil, quando qualquer ação política era crime.
Talvez exista uma razão pela qual a nossa democracia (mesmo a nossa democracia capitalista) é tão frágil. Talvez não seja possível manter a ilusão e pretensão desse sistema tão bem nos países periféricos, onde as contradições são tantas e tão grandes. Talvez a nossa democracia seja mais parecida com o bonapartismo do que seria confortável. Afinal, dessa vez a repetição da história aconteceu sob uma democracia.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Evictions and Women's Strength / Despejos e a Força das Mulheres

  On Monday I went to a township called Orange Farm, located about 30km south of Johannesburg. There, they have a waste-pickers cooperative, a daycare center for children, as well as a community services center that serves as an advice office for various types as problems, such as domestic violence and so on. We went there with a comrade from Abahli Freedom Park to think collectively what could be done against corruption in social housing delivery.
However, plans changed when the person we went to talk to on Orange Farm was being expected by a group of four women from another township close to Soweto. The women were there because they were in danger of being evicted by the police and local power, who said they could only stay in the area if they paid a certain amount of money they do not have. The bank, ever so willing to help, made a package deal for them to borrow money and pay with “low” interest rates.
In order to proceed with the eviction, what the police does apparently is try to evict people by day, and if they resist to leave, they will come back at night and arrest everyone with criminal charges of trespassing. Another interesting fact to learn is that sometimes the legal ordering asking for the people's removal is not even legal, having been faked by private security companies and such. Needless to say that widow women and single mothers are more likely to be “asked to leave”.
The women on Orange Farm were asking for help in order to try to unite community and hopefully other townships around the problem of evictions. They are taking matters in their own hands since the government is doing nothing to respond to their cry of help.
We can only try taking the example of these women that left children and husbands at home to try to organize people around this first emergent demand.




Segunda-feira eu fui a uma cidade-satélite chamada Orange Farm, localizada a 30 km no sul de Johannesburgo. Lá, eles tem uma cooperativa de reciclagem, uma creche comunitária, bem como um centro de serviços comunitários que aconselha diferentes assuntos, como violência doméstica e etc. Nós fomos lá com um camarada do Abahli Freedom Park para pensar coletivamente o que pode ser feito contra a corrupção na entrega e construção de habitações.
Entretanto, os planos mudaram quando a pessoa com quem nós fomos conversar em Orange Farm estava sendo esperada por um grupo de quatro mulheres de uma utra cidade-satélite, próxima de Soweto. As mulheres estavam lá porque elas estão em risco de serem despejadas pela polícia e governo local, que disseram que elas só poderiam continuar na área se elas pagassem uma quantidade de dinheiro que elas não tem. O banco, mais que solícito em ajudar, fez um pacote de empréstimo para que elas emprestassem dinheiro e pagassem a prestação com “baixo” valor de juros.
Para dar seguimento com os despejos, o que a polícia faz aparentemente é tentar despejar as pessoas de dia, e se elas resistirem em sair, a polícia volta a noite e prende todo mundo sob a acusação criminal de invasão de propriedade. Outro fato interessante a ser descoberto foi que as vezes essas ordens judiciais pedindo a remoção das pessoas não são nem legais, mas são forjadas por empresas de segurança privada e talvez outros (?). Não é nem necessário dizer que mulheres viúvas e mães solteiras são as com mais probabilidades de serem “solicitadas a sair” (aliás, uma das mulheres na reunião já havia sido presa sob acusação de invasão de propriedade, de uso dela até o dia anterior).
As mulheres em Orange Park estavam pedindo ajuda para tentar unir a comunidade e esperançosamente outras cidades-satélites ao redor do problema dos despejos. Elas estavam tomando o problema em suas próprias mãos, já que o governo não faz nada para responder aos seus pedidos de ajuda.
Resta só tentar tomar o exemplo dessas mulheres que deixaram filhos e maridos em casa para tentar organizar as pessoas em torno dessa primeira questão emergencial.

ANC and the Establishments of Cooperatives in Neoliberal Times: The Freedom Park Case / ANC e o Estabelecimento de Cooperativas em Tempos Neoliberais: O Caso de Freedom Park

With the beginning of neoliberalism, it became fashionable for National States to stop offering basic services for the tax paying population, specially those in the poorer part of society. In order to outsource responsibilities for services society (or capitalism) cannot go without, nothing more clever then than to outsource services itself. And Johannesburg local government has joined in this new trend, encouraging the establishments of cooperatives to deal with the offering of the non profitable essential businesses.
We argue, however, that this has also other effects, as it open an opportunity for the uprising of new types of work organization and administration, generates income, as well as possibly profits that could be invested in actually financing anti-capitalist organizations. Using government money to do so.
So far, maybe so good. However, it seems Johannesburg local government wants to try to rid itself of even the minimum amount of responsibility, and it's likely not to give any support for the starting cooperatives beyond free registration fees. At least not unless you are an enthusiastic ANC supporter. Talk about capitalist democracy.
Last week I got to know one community located in the outskirts of Johannesburg that is trying to create employment alternatives to help the subsistence of it's population, as well as to create a fund for the local social movement, the Abahlali Freedom Park. This would be done through the creation of one cooperative that would be in charge of one of the basic services the local government was bound to do. But everything has to be arranged out of the blue, apparently, as the local government isn't even willing to donate use of one of the many unoccupied lands in the area. No initial investment for material. No money for transportation. Just a good luck farewell non-kindheartedly given after the legal part is dealt with.
Not that we could argue this is so different from what we experience in Brazil. Government supporters would say we should be grateful even for the fart of money the government tight-handily hands us through solidarity economies policies. Let us remember to be aware of people that use the “at least we are not so bad” argument. But here it seems the government isn't even preoccupied in trying to hide it's classiest profile.
As for the lack of shame of ANC with such (lack of) policies, the only possible alternative seems to be the one that was always the only one possible against exploitation.
(Your answer to this question will give a hint of your political affiliation.)



    

Com o começo do neoliberalismo, virou moda para os Estados Nacionais pararem de oferecerem serviços básicos para a população pagadora de impostos, especialmente para a parte mais pobre da sociedade. Para terceirizar a responsabilidade pelos serviços que a sociedade (ou o capitalismo) não pode viver sem, nada mais inteligente que terceirizar os próprios serviços. E o governo local de Johannesburgo se juntou a essa nova sensação, encorajando o estabelecimento de cooperativas para lidar com o oferecimento dos serviços essenciais que não são muito rentáveis.
Argumentamos, entretanto, que isso tem outros efeitos também, já que abre oportunidade para o surgimento de novos tipos de organização e administração do trabalho, gera renda, assim como recursos que podem ser investidos no financiamento de organizações não capitalistas. Ainda usando o dinheiro do governo para fazer isso.
Até aqui, ok. Entretanto, parece que o governo local de Johannesburgo quer tentar se livrar de até do mínimo de responsabilidade, e provavelmente não oferecerá nenhum suporte para as cooperativas que estão começando além de taxas de registro de graça. A não ser que você seja um apoiador entusiasta da ANC (partido governista desde o fim do Apartheid). Falando em democracia capitalista…
Semana passada eu conheci uma comunidade localizada na periferia de Johannesburgo que está tentando criar alternativas de emprego para ajudar na subsistência da população, assim como criar fundos para financiar o movimento social da comunidade, o Abahlali Freedom Park (Abahlali é a palavra em zulu que denomina a população sem-teto). Isso seria feito através da criação de uma cooperativa que seria responsável por um dos serviços básicos que o governo local seria responsável por fornecer. Mas tudo tem que ser conseguido do nada, aparentemente, já que o governo local não está nem disposto a dar concessão de uso de uma das muitas áreas sem uso no local. Nada de investimento inicial para material. Nada de dinheiro para transporte. Só um adeus dado de mal grado depois que toda a parte legal foi resolvida.
Não que nós poderíamos argumentar que as coisas no Brasil são muito diferentes. Os apoiadores do PT diriam que nós deveríamos ser gratos pelo peido de dinheiro que o governo sofridamente dá para as políticas de economia solidária. Vamos nos lembrar de ter cuidado com as pessoas que usam o argumento de que “pelo menos a gente não está tão mal”. Mas aqui parece que o governo não está nem preocupado em tentar esconder seu caráter classista.
Quanto a falta de vergonha da ANC com essas (faltas de) políticas, a única alternativa possível parece ser aquele que sempre foi a única possível contra a exploração.
(A sua resposta a essa pergunta te dará uma dica sobre sua afiliação política.)