"On 3 September 1984, the Vaal Triangle, which is located southeast of Johannesburg and was part of the industrial heartland of South Africa, exploded into unrest. A general stay-away from work was called, schools were closed, buses and taxis stood idle and militant protest spread across the country. It was the most significant and large-scale rebellion of the black working class since the Soweto Uprising of June, 1976, and signified one of the final nails in the coffin of apartheid and white minority rule. For the black working class living in the townships across the Vaal Triangle, such as Sharpeville, Sebokeng, Evaton, Bophelong, Boiketlong, Zamdela and others the conditions were very similar to those of today. A slump in the steel industry had led to many workers being retrenched, there were evictions of rent defaulters and bribery, corruption and self-enrichment of local councillors was rife. Councillors’ election promises went unfulfilled and township residents demanded their resignation; allegedly threatening that they would set fire to their houses should they fail to do so.Thirty-one years later, on 21 April 2015, the Sebokeng Magistrate’s Court in the Vaal sentenced four community activists from Boiketlong to sixteen years in prison each for allegedly setting fire to the local ward councilor’s house and cars during a protest action. [...] To convict them the state even used the apartheid law of 1973, of so-called ‘common purpose’, which means that they were found guilty merely because they were leaders of the community; even though none of the four were identified in any way with the burning of the councilor’s house or cars. One of the arrests was not even present at the time. A witness willing to testify to this was not called to testify in court."
Yesterday's leaflet, available on: http://www.anarkismo.net/article/28488
Remember remember the 3rd of September. In 1984, it was the day of an uprising that took the country, including the Vaal Triangle (region in the south of Joburg), marking this date with one of the biggest protests against the Apartheid regime. In 2015, a day when a not-so-big march occurred to protest against the conviction of 4 community leaders to 16 years in prison each. They are being accused, under a 1973 apartheid law, and with apparently no proofs, of having set the house and car of a councilor on fire during a protest.
If story repeats itself, this time in South Africa is as an absolute farse.
Not wanting to ignore historical differences that set the nowadays South Africa and 1852 France apart, when Marx pronounced his famous quote that “history repeats itself”, it is interesting, even if only as an historic exercise, to try withdrawing parallels between the two. Bonapartism as a marxist political phenomenon is understood as the situation when a military coup takes charge of government in possible revolutionary situation, to reestablish order and guarantee capitalists interest in long term (which was what happened during both Napoleons governments in France). And even though we could argue that maintain capitalist interests in long term has been the role of the current government in SA ever after the end of apartheid (when maybe different sectors of the buguesia weren't in agreement in short term?), one difference is clear: this is not a military government. It's a democracy. And the difference is loud and clear.
Is it?
Democracy defenders, calm down. I'm not saying that military rule and democracy are the same thing, but merely that it seems hard trying to determine what are the limits between a capitalist democracy in peripheral countries and a military rule. Because whereas one could argue that the difference is clear in theoretical discourse, those who live in poor communities in Brazil, South Africa and others would maybe differ, with the amount of arbitrary imprisonment and killing (just take a look at the statistics of police killing in Brazil) in these countries.
For example, a 16 years of prison sentence given with little proof against the condemned seems like a sentence more suitable for the times of dictatorship in Brazil, when any political action was considered a crime.
Maybe there is a reason why our democracy (even our capitalist democracy) is so fragile. Maybe it's not possible to maintain the illusion and pretensions of that system so well in peripheral countries, where contradictions are so many and so wide, with the role we fulfill in world capitalism. Maybe our democracy is more similar do Bonapartism than one would think comfortably. After all, this time the repetition of history happened under democracy.
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| Foto da Marcha 03/09/2015 |
"Em
3 de Setembro de 1984, o 'Vaal Triangle', que está localizado ao sul
de Johannesburgo e era parte do polo industrial da África do Sul,
explodiu em protestos. Um salve geral foi declarado para as pessoas
não irem trabalhar, as escolas fecharem, e os ônibus e táxis
permanecerem parados, e protestos se espalharam pelo país. Foi a
rebelião mais significativa e em larga escala da classe trabalhadora
negra desde o 'Soweto Uprising', em 1976, e significou um dos últimos
suspiros do regime Apartheid e do governo da minoria branca. Para
a classe trabalhadora negra vivendo ao redor do 'Vaal Triangle', tais
como Shaperville, Sebokeng, Evaton, Bophelong, Boiketlong, Zamdela e
outras áreas as condições hoje são muito similares às daquela
época. Uma crise da industria da mineração levou a uma redução
no número de trabalhadores, despejos dos que que não conseguiam
pagar aluguel e o acontecimento de subornos, corrupção e
auto-enriquecimento dos vereadores locais foi frequente. As promessas
das épocas de eleição dos vereadores não foram cumpridas e os
moradores das cidades-satélites demandaram seus afastamentos:
ameaçando atear suas próprias em fogo se eles não fizessem issoTrinta e um anos depois, em 21 de Abril de 2015, o Tribunal de Magistrados de Sebokeng no Vaal sentenciou quatro ativistas da comunidade de Boiketlong à 16 (dezesseis) anos de prisão cada um por deliberadamente colocar fogo na casa e carro do vereador local durante uma ação de protesto [...] Para condenar eles o Estado até usou a mesma lei de 1973 da época do Apartheid, denominada 'propósito comum', que significa que eles foram encriminados simplesmente por serem líderes da comunidade: apesar do fato de nenhum dos quatro terem sido identificados de nenhuma maneira com a queima da casa e carro do vereador. Um dos presos nem estava presente no ato. Uma testemunha disposta a depor isso não foi chamada para o julgamento."
Parte do panfleto distribuído ontem na marcha. Disponível na íntegra em inglês: http://www.anarkismo.net/article/28488
Me lembro, me lembro, do 3 de setembro. Em 1984, foi o dia de protestos que tomaram o país, inclusive o 'Vaal Triangle' (região no sul de Joburg), marcando esse dia com um dos maiores protestos desde o regime do Apartheid. Em 2012, um dia em que uma marcha não tão grande ocorreu em protesto contra a condenação de 4 líderes da comunidade a 16 anos de prisão cada um. Eles estão sendo acusados, sob uma lei de 1973 da época do apartheid e sem provas aparentes, de terem colocado a casa e o carro de um vereador em fogo durante um protesto.
Se a história se repete duas vezes, dessa vez na África do Sul é definitivamente como farsa.
Não querendo ignorar as diferenças histórica que separam a África do Sul atualmente e a França em 1852, quando Marx disse a frase famosa que “a história se repete duas vezes”, é interessante, mesmo se só parte de um exercício histórico, fazer paralelos entre essas duas épocas. O bonapartismo como um fenômeno politico marxista é entendido como uma situação na qual um governo militar entra no poder numa situação possivelmente revolucionária, para reestabelecer a ordem e garantir os interesses capitalistas a longo prazo (o que aconteceu durante os governos dos dois Napoleões na França). E apesar de nós argumentarmos que manter os interesses capitalistas a longo prazo tem sido o papel do atual governo na África do Sul desde o fim do apartheid (quando talvez diferentes setores da burguesia estavam em competição devido interesses de curto prazo?), uma coisa é diferente: esse governo na África do Sul não é uma ditadura. É uma democracia. E a diferença é clara.
Né?
Defensores da democracia, respirem fundo. Não estou dizendo que uma ditadura e uma democracia são a mesma coisa, mas simplesmente que parece difícil determinar quais são os limites entre uma democracia capitalista em países periféricos e uma ditadura. Porque enquanto alguém pode dizer que a diferença é clara no discurso teórico, aqueles que vivem em comunidades pobres no Brasil e na África do Sul talvez diriam outra coisa, com a quantidade de prisões e assassinatos arbitrários (dê uma olhada nas estatísticas de jovens negros mortos por policiais no Brasil) nesses países.
Por exemplo, uma sentença de 16 anos de prisão dada sem provas parece ser uma sentença mais apropriada para os tempos de ditadura no Brasil, quando qualquer ação política era crime.
Talvez exista uma razão pela qual a nossa democracia (mesmo a nossa democracia capitalista) é tão frágil. Talvez não seja possível manter a ilusão e pretensão desse sistema tão bem nos países periféricos, onde as contradições são tantas e tão grandes. Talvez a nossa democracia seja mais parecida com o bonapartismo do que seria confortável. Afinal, dessa vez a repetição da história aconteceu sob uma democracia.

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